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10 de fevereiro de 2012

De bege


Hoje tranquei meu passado. Tranquei na cor bege, porque o lilás não servia mais. Não servia porque ficou pequeno, ou então porque ficou tão largo de saudade que me esmagou, como se esmaga uma barata com o chinelo.
A diferença é que a barata esmagada fica lá espatifada, espalhada, pedindo pra que eu admire o nojento e enfrente o medo. Foi justamente o que fiz com a tranca. Espatifei o medo de bege.
Ou será que quando eu levantar o chinelo, ele vai escapar em velocidade de novo?
De qualquer forma, eu vou gritar...

15 de agosto de 2011

Correr da flor

   Eu descobri que chorar é uma das melhores formas de tirar meu rímel antes de dormir. O que vão pensar do travesseiro manchado eu não sei. Só lembro de pensar nisso pela manhã quando acordo. Mas nessa hora a pressa já me possuiu e anestesiou todas as dores que eu tentei consertar sozinha na noite anterior.
   A culpa, de ter vergonha e medo do que meu coração suplica por fazer, me cega. Eu deveria. Mas estou um pouco ocupada agora percebendo o quanto a vida é de mentira. Uma mentira breve. E o quanto a morte é um susto pra quem fica. Por que pra quem foi é o quê? Acabou onde?
   Minha alegria morreu dia 25/05/2011 e me perdoem os que acreditam, mas eu já não sei sorrir sem medo e estou enlouquecendo.
   Já não sei se é normal ser assim à flor da pele.

6 de janeiro de 2011

Lágrimas pretas

   A morte tem dormido na minha cama. Fica ali ao meu lado sentada durante a noite. Não me preocupo. Ela não veio me buscar, e na verdade não creio que esteja esperando por alguém que me cerca. Pelo menos não tão cedo, pelo menos não tão logo. Eu espero.
   Está ali, muda. Como que para me dizer coisas no silêncio. E como ainda não me ensinaram essa língua, transformo tudo em choro, em rímel borrado no travesseiro. De forma a tornar visíveis as lágrimas que morreram.
   Ela veio pra levar de mim algo, e o que é não descubro. Sei apenas que enquanto me observa chorar expremida, deixa um perfume de medo, uma carícia invisível que toma conta de todo meu quarto quase escuro.
   Ela veio por alguém, e quase como um demônio do medo, está me rondando pra saber por quem.
   Morte, eu suplico que não me condene ao meu maior medo: não tire ninguém de mim.